Transtornos Psiquiátricos

Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) – Tudo o que você precisa saber

Conheça os principais sintomas e tratamentos desse transtorno de personalidade

Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) – Tudo o Que Você Precisa Saber

Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI), conhecido anteriormente como Transtorno de Múltiplas Personalidades, é uma condição psicológica complexa que é provavelmente causada por muitos fatores, incluindo trauma severo durante o início da infância – geralmente abuso físico, emocional ou sexual extremo e repetitivo.

O que é o Transtorno Dissociativo de Identidade?

TDI é uma forma severa de dissociação, um processo mental que causa desconexão nos pensamentos, memórias, sentimentos, ações e senso de identidade da pessoa.

Acredita-se que o Transtorno Dissociativo de Identidade é resultado de uma combinação de fatores que podem incluir traumas sofridos pela pessoa com o transtorno.

O aspecto dissociativo pode funcionar como um mecanismo de enfrentamento – a pessoa literalmente se fecha ou se dissocia de uma situação ou experiência que é traumática, violenta ou dolorosa demais para ser assimilada por seu eu consciente.

Quem pode sofrer de TDI?

Pesquisas sugerem que o Transtorno Dissociativo de Identidade é provavelmente uma resposta psicológica a aflições interpessoais ou ambientais – especialmente nos primeiros anos da infância, onde negligência ou abuso emocional podem prejudicar o desenvolvimento da personalidade.

Cerca de 99% dos indivíduos que desenvolvem transtornos dissociativos reconhecem que possuem histórico pessoal de perturbações ou traumas extremos, recorrentes e, frequentemente, que colocam a vida em risco. Essas experiências geralmente ocorrem em um importante estágio de desenvolvimento na infância – geralmente antes dos 6 anos de idade.

A dissociação também pode surgir onde houve negligência ou abuso emocional persistente, mesmo que não tenha havido violência física ou sexual.

Descobertas mostram que, em famílias onde os pais são assustadores ou imprevisíveis, as crianças têm uma chance maior de se tornarem dissociativas.

Pesquisas apontam que aproximadamente 1% da poulação sofre desse transtorno.

Como identificar o Transtorno Dissociativo de Identidade e os transtornos mentais associados

O TDI é caracterizado pela presença de duas ou mais identidades (ou estados de personalidade) distintas que continuamente alternam no controle do comportamento da pessoa.

Com o Transtorno Dissociativo de Identidade também existe uma incapacidade de se lembrar de importantes informações pessoais. Essas lacunas na memória são muito severas para serem consideradas um esquecimento casual, que algumas pessoas experimentam.

Embora nem todo mundo experimente o TDI da mesma maneira, para algumas pessoas as personalidades alternativas têm idade, raça ou sexo completamente diferentes.

Cada identidade tem uma postura, gestos e jeito de falar próprios. Algumas vezes essas identidades imaginárias são pessoas, outras vezes, animais.

Quando uma personalidade se manifesta e controla o comportamento e os pensamentos da pessoa, ocorre o que pode ser chamado de “troca”. As trocas podem levar segundos, minutos ou mesmo dias.

Algumas pessoas procuram tratamento com hipnose, onde as personalidades alternativas podem se mostrar bastante responsivas aos pedidos do terapeuta.

Outros sintomas do transtorno dissociativo de identidade podem incluir dores de cabeça, amnésia, perda da noção de tempo, transes e experiências fora do corpo.

Algumas pessoas com a doença têm uma tendência para a auto perseguição, autossabotagem e até mesmo violência (tanto autoinfligida quanto direcionada a terceiros).

Por exemplo, pessoas com TDI podem se ver fazendo coisas que não fariam normalmente, como correr no trânsito, ou furtar dinheiro do patrão ou de um amigo – ainda assim, sentem que estão sendo forçadas a seguir com o ato.

Alguns descrevem essa experiência como ser passageiro no próprio corpo. Em outras palavras, elas realmente acreditam não ter escolha.

Existem várias maneiras através das quais os processos psicológicos do TDI afetam a vida de uma pessoa, incluindo:

Despersonalização. Essa sensação de estar desconectado do próprio corpo é mais conhecida como experiência fora do corpo.

Desrealização. Sensação de que o mundo não é real ou parece nebuloso/distante.

Amnésia. Incapacidade de se lembrar de informações pessoais importantes ao ponto de que simples esquecimento não é uma resposta aceitável. Também podem haver micro-amnésias, onde um assunto sendo discutido é esquecido de um segundo para o outro.

Confusão de identidade ou alteração de identidade. Ambos envolvem uma confusão sobre quem a pessoa é. Um exemplo de confusão de indentidade é quando a pessoa tem dificuldade em definir as coisas que a interessam – isso pode se referir à sua visão sobre política, religião ou temas sociais, sua orientação sexual, ambições profissionais. Além dessas incosistências, a pessoa pode sentir distorções temporais, espaciais e situacionais.

Já foi estabelecido que esses estados dissociados não são personalidades completamente independentes, mas um sintoma do senso de identidade desconexo.

Como a amnésia é parte do transtorno dissociativo de identidade, diferentes estados de identidade se lembram de diferentes porções de informação pessoal.

Normalmente existe uma personalidade “hospedeira” dentro do indivíduo, que se identifica com o nome real da pessoa. Ironicamente, a personalidade principal (hospedeira) geralmente não tem conhecimento das demais personalidades.

Como o Transtorno Dissociativo de Identidade é diagnosticado?

Fazer o diagnóstico de TDI leva tempo. Não é incomum que indivíduos com a condição passem vários anos à espera de um diagnóstico preciso. Isso acontece porque a lista de sintomas que o TDI produz é semelhante aos sintomas causados por outros transtornos psicológicos.

Na verdade, muitas das pessoas que têm TDI também possuem outros transtornos de indentidade, como o Borderline. Doenças como depressão e ansiedade também não são incomuns.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) estabelece os seguintes critérios para o diagnóstico do TDI:

  • Presença de duas ou mais identidades (ou estados de personalidade) distintas, cada uma com um padrão próprio - e relativamente persistente – de percepção, pensamento e relacionamento com si própria e o ambiente;
  • Amnésia - definida como lacunas na memória sobre eventos cotidianos, informações importantes e/ou eventos traumáticos - deve estar presente;
  • A pessoa deve se sentir aflita por causa do transtorno ou ter dificuldades em conduzir uma ou mais áreas da vida;
  • A perturbação não é parte de uma prática cultural ou religiosa normal;
  • Os sintomas não podem ser o resultado direto dos efeitos psicológicos do uso de substâncias (como perda de consciência ou comportamento irracional devido embriaguez) ou de outras condições médicas (como uma crise parcial complexa - um tipo de episódio epiléptico).

As personalidades distintas podem cumprir papéis distintos no sentido de ajudar o indivíduo a lidar com os dilemas da vida. Por exemplo existem, em média, de 2 a 4 personalidades quando o paciente é inicialmente diagnosticado. Conforme o tratamento avança, esse número sobe para 13 ou 15. Mudanças no ambiente ou eventos da vida podem causar repentina mudança de uma personalidade para outra.

Que outros transtornos psicológicos podem ocorrer com o TDI?

Além da dissociação e múltiplas personalidades, pessoas com transtornos dissociativos podem experimentar uma variedade de outros problemas psiquiátricos, incluindo:

Qual o plano de tratamento para pessoas com Transtorno Dissociativo de Identidade?

Atualmente não existem guias formais e baseados em evidências para tratar o TDI. Apesar de não existir cura para esse transtorno, alguns tratamentos de longo prazo podem se mostrar úteis se o paciente permanecer comprometido. Alguns exemplos de tratamento incluem:

Psicoterapia. A terapia ajuda a lidar com o qualquer que seja o gatilho para o TDI. A meta é “fundir” as personalidades distintas em uma única personalidade que controla os gatilhos. A psicoterapia frequentemente conta com a participação do núcleo familiar do paciente. Para contatar um psicoterapeuta agora, clique aqui.

Hipnoterapia. Usada em complemento com a psicoterapía, a hipnose clinica pode ser usada para acessar memórias reprimidas., controlar alguns dos comportamentos problemáticos que a doença pode trazer assim como ajudar as personalidades a se integrarem em uma.

Terapia adjuntiva. Terapia como a arte já ajudaram pessoas a se conectarem com partes de suas mentes que elas costumavam isolar por conta de um trauma.

Não existe uma medicação própria para tratar o transtorno dissociativo de identidade, o que torna as abordagens terapêuticas o método padrão.

O tratamento de transtornos coexistentes como depressão e ansiedade é fundamental para a melhora do quadro geral. As medicações usadas para tratar esses transtornos – caso sejam usadas – podem ser receitadas como complemento às terapias.

João Vitor Gomes dos Santos
João Vitor Gomes dos Santos

Estudante de Engenharia Mecânica, através da convivência na universidade se conscientizou da importância do bem-estar mental. Para promover e acessibilizar os cuidados com a mente, cofundou a PsyMeet. Convencido da importância da saúde mental para uma vida feliz, está sempre lendo, assistindo e ouvindo sobre o tema. Instagram @dosantosjv

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