Saúde Mental | Ansiedade

Algumas influências sociais sobre a Ansiedade

O ser humano é um ser biopsicossocial. Sofremos por questões do corpo, da mente e da cultura em que estamos inseridos. Este artigo visa debater brevemente sobre essa leitura social que exerce influências sobre a ansiedade. Leia, reflita e questione! Boa leitura!

Algumas Influências Sociais Sobre a Ansiedade

O sintoma de nome ansiedade

A ansiedade pode ser entendida como um quadro patológico que gera no sujeito uma preocupação exagerada sobre situações do dia-a-dia que funcionam como agente potencial para sintomas disfuncionais que prejudicam a interação social e o desempenho em público.

De acordo com Silva (2020), Sigmund Freud compreendeu que a ansiedade é uma condição que afeta excessivamente o ser humano, pois seus distúrbios estão conectados às reações do organismo diante da presença de situações estimulantes, sendo um estado altamente desgastante e que tira as pessoas do controle de suas próprias vidas.

Alguns sintomas mais frequentes nos sujeitos afetados pela ansiedade são: fadiga, dificuldades de concentração, irritabilidade, falta de ar, sensação de perigo, aumento ou queda de pressão arterial, mal-estar, entre outros.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil tem o maior índice de pessoas com transtorno de ansiedade no mundo. Ainda, de acordo com a OMS, no primeiro ano da pandemia de Covid-19, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou 25%.

Quanto maior a expectativa, maior a frustração.

Utilizando-se da teoria psicanalítica Freudiana, a ansiedade também pode ser lida como um resultado de libido contida seja pelos desejos não realizados, ou pelas experiências traumáticas ocorridas na infância e que se manifestam na fase adulta em forma de sintomas.

Assim como nascemos diante da tensão das expectativas da nossa família, logo aprendemos a cria-la sobre nós, o outro e o mundo. A questão da expectativa é que quanto maior a ocupação que eu dedico para ela, maior trabalho eu vou ter depois sobre a frustração no caso de não ter conseguido atingir a expectativa almejada..

Quantas vezes nos ocupamos de coisas que podem vir a acontecer, mas que só existem no campo da fantasia, da imaginação. E a bem da verdade, o que temos para viver é a realidade, um outro tempo totalmente diferente, nu e cru, mas é o que há e existe, aqui e agora.

O ser humano é biopsicossocial, mas, sobretudo social.

Nós, seres humanos sofremos por questões físicas, psíquicas e sociais. E para além do corpo e da mente, a cultura, ou, a sociedade, em que estamos inseridos também é uma fonte de sofrimento.

Até determinado momento da vida somos produtos do meio em que vivemos. Esse meio nos atravessa, e, sobretudo nos afeta. Nascemos em uma família carregada de ideais, valores, religiões, preconceitos e expectativas. E o nosso primeiro contato com o mundo é visualizado pela lente dessa nossa família.

Crescemos educados a ser e agir no mundo conforme as regras sociais. As escritas (as leis, normas, decretos e etc...) e as morais. E aquele que não se encaixa nas regras, já cedo adoece.

O sistema econômico

Outro fator influenciador da questão social que incide sobre a ansiedade é o sistema econômico atual em que vivemos, o capitalismo. Somos bombardeados diariamente com promessas para atingirmos ideais irreais que são lançados para nós como modelos. O corpo perfeito, o carro do ano, o pai ideal, a mãe ideal, o adolescente da moda, a criança feliz e por aí vai...

E o que está por detrás desses ideais impossíveis de serem atingidos é uma lógica de consumo. A ideia do lucro acima de tudo. Tem gente lucrando com a sua infelicidade e com os padrões impostos cada vez mais distantes. O discurso vigente te seduz para o pensamento de que para atingir o padrão, você só precisa ter esse produto aqui ó. Questione!

E mais uma vez, aqueles que não se sentem representados diante dos modelos que são oferecidos, sofrem tentando se encaixar ou lutando contra o discurso vigente. A ansiedade pode ser considerada como um sinal indicador para o organismo de necessidade de levantar defesas psicológicas. Portanto, se eu não me encaixo, logo, preciso me defender.

O questionamento que fica é que se somos seres singulares no mundo (e nossas digitais estão aí para comprovar), se não existe ninguém no mundo igual a mim, porque estamos marchando igual? Porque buscamos uma mesma resposta? Porque não se compreender? Se aceitar? Se acolher? Se bancar?

A psicoterapia como possibilidade de aceitação e transformação.

O processo de psicoterapia pode ser o começo de um novo olhar sobre o mundo, o outro e nós. O autoconhecimento é fundamental para um novo posicionamento diante da cultura e daquilo que nos faz sofrer.

No processo de psicoterapia o sujeito é convocado a falar do que sofre, e o profissional que está ali, está disposto a escutar, acolher e promover saúde. Além de carregar consigo uma responsabilidade com a ética e o sigilo necessários para o bom andamento do tratamento.

Busque ajuda de um profissional da psicologia, permita-se se descobrir e se haver com suas questões, invista na sua saúde mental, reflita sobre si e se questione! Mudança requer coragem, então, que tal dar esse primeiro passo?

REFERÊNCIAS:

SILVA, Maria Bernadete Lima Maia. As contribuições da Psicanálise na Neurometria Funcional no controle da ansiedade. Revista Científica de Neurometria, Ano 4 – Número 6 – abril de 2020. Disponível em:https://www.neurometria.com.br/article/vol6a1.pdf. Acesso em: 21 out. 2020.

Caique dos Santos Oliveira
Caique dos Santos Oliveira

Humano, curioso, filho, irmão, tio, padrinho, amigo, LGBTQIA+ e escritor. Graduado em Psicologia pela Faculdade de São Lourenço – UNISEPE, Pós graduando em Psicologia Social, Neuropsicologia e problemas de aprendizagem e Psicologia Escolar e Educacional pela Faculdade FAVENI. Leitor e atento às questões que envolvem saúde mental e sociedade contemporânea propõe-se a trazer informações e levantar questões para provocar reflexões e favorecer diálogos. Instagram: @eucaiqueoliveira

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