Transtornos Psiquiátricos

Piromania: Sintomas, Causas e Tratamentos

Tudo o que você precisa saber sobre esse transtorno caracterizado pelo fascínio pelo fogo.

Piromania: Sintomas, Causas e Tratamentos
Resumo:

A piromania é um transtorno de controle de impulsos caracterizado por um ímpeto irresistível de atear incêndios. A pessoa sente tensão antes e prazer ou alívio depois do fogo, mesmo sabendo que é prejudicial. É rara e tratada com terapia cognitivo-comportamental e, em alguns casos, medicação.

O que é piromania

A piromania é um tipo de transtorno de controle de impulsos que se caracteriza por um ímpeto irresistível de começar incêndios. As pessoas com piromania sabem que fazer fogo é prejudicial. Mas atear fogo é a única maneira de aliviar a tensão, ansiedade ou excitação acumuladas. Eles sentem satisfação ou alívio depois de fazerem fogo.

A piromania faz parte de um grupo de transtornos chamados de transtornos disruptivos, de controle de impulsos e de conduta. Esses distúrbios fazem com que as pessoas sejam agressivas em relação a pessoas ou propriedades. Ela costuma ser estudada ao lado de outros quadros ligados à dificuldade de conter impulsos, como a cleptomania e o comportamento impulsivo em geral.

O que é um piromaníaco

O termo "piromaníaco" (ou "piromaníaca") descreve a pessoa que tem piromania. Uma pessoa piromaníaca apresenta fascínio e obsessão pelo fogo e um impulso recorrente e irresistível de atear incêndios de forma deliberada. É importante não confundir isso com curiosidade por fogos de artifício ou com o simples prazer de observar uma fogueira: o piromaníaco atende a critérios clínicos específicos e o quadro é considerado raro. Gostar de fogo, por si só, não significa ter piromania.

Se você tem um desses distúrbios, pode ter dificuldade em controlar suas emoções e comportamento. Todo mundo se sente assim de vez em quando. No entanto, em pessoas com um desses distúrbios, o comportamento:

  • Dura muito tempo;
  • Acontece com frequência;
  • Acontece em diferentes situações;
  • Causa problemas significativos.

Vários fatores aumentam o risco de desenvolver um transtorno disruptivo, de controle de impulsos ou de conduta, incluindo:

  • Abuso físico;
  • Abuso sexual;
  • Criação rígida;
  • Pais com histórico de dependência química;
  • Pais com histórico de problemas legais.

Sintomas da piromania

Um diagnóstico de piromania envolve as razões pelas quais alguém ateia fogo. É importante distinguir entre diferentes motivos. Acender fogueiras é considerado um comportamento, não uma desordem. Nem todo mundo que ateia fogo comete um crime.

Incêndio intencional é crime, mas a maioria dos incendiários não tem piromania. A piromania é um transtorno psiquiátrico.

Para ser diagnosticado com piromania, os seguintes sintomas devem estar presentes:

  • Atear fogo deliberadamente e de propósito em mais de uma ocasião;
  • Sentir-se tenso(a) ou enérgico(a) antes de iniciar um incêndio;
  • Sentir atração e obsessão pelo fogo e tudo sobre ele;
  • Sentir prazer, alívio ou gratificação ao atear incêndios, ver incêndios ou estar envolvido(a) nas consequências dos incêndios;
  • Atear incêndios não pode ser explicado por outro transtorno psiquiátrico.

A piromania é muito rara. Em um estudo com 90 pessoas que cometeram incêndio criminoso mais de uma vez, apenas 3 preencheram os critérios para piromania. As pessoas que ateiam fogo pelos seguintes motivos normalmente não têm piromania:

  • Ganho monetário;
  • Crenças políticas;
  • Para esconder um crime;
  • Para melhorar uma situação de vida;
  • Delírios;
  • Alucinações;
  • Julgamento prejudicado, como estar sob a influência de drogas ou álcool.

Piromania x incêndio criminoso (arson): qual a diferença

Uma das dúvidas mais comuns é a diferença entre piromania e incêndio criminoso (em inglês, "arson"). Embora ambos envolvam atear fogo de forma intencional, eles não são a mesma coisa.

O incêndio criminoso é um ato definido pela lei: alguém provoca fogo de forma proposital, quase sempre motivado por um objetivo externo, como ganho financeiro, vingança, ocultar outro crime, protesto ou motivação ideológica. É uma conduta criminosa, avaliada pela Justiça, e não pressupõe nenhum transtorno mental.

A piromania, por outro lado, é um transtorno de controle de impulsos. Nela, não há um objetivo prático por trás do fogo: o comportamento é movido por tensão interna crescente e pelo alívio ou prazer que a pessoa sente ao atear ou observar o incêndio. É justamente a ausência de motivação externa que caracteriza o quadro clínico.

Na prática, a maioria absoluta das pessoas que cometem incêndio criminoso não tem piromania. Por isso, a avaliação forense (contexto pericial) e a avaliação clínica são complementares, mas distintas: uma investiga a responsabilidade legal pelo ato, enquanto a outra verifica se existe, de fato, um transtorno psiquiátrico. Esse diagnóstico deve sempre ser feito por profissional habilitado, e não deduzido apenas pelo comportamento de atear fogo.

Sintomas e características do piromaníaco

Além dos critérios diagnósticos, algumas características costumam aparecer no comportamento de quem tem piromania. Reconhecê-las ajuda a diferenciar o transtorno de um interesse comum por fogo:

  • Fascínio intenso e persistente por fogo, incêndios e seus efeitos;
  • Sensação de tensão, agitação ou excitação que cresce antes de atear o fogo;
  • Alívio, prazer ou gratificação ao iniciar, presenciar ou participar das consequências de um incêndio;
  • Interesse por equipamentos, ferramentas e situações relacionadas ao fogo;
  • Repetição do comportamento em mais de uma ocasião, mesmo sabendo dos riscos;
  • Ausência de motivação externa clara (dinheiro, vingança, ideologia).

Vale reforçar que apenas um psiquiatra (CRM) ou psicólogo (CRP) pode confirmar o diagnóstico. Sentir-se atraído pelo fogo, isoladamente, não configura piromania.

Causas da piromania

Não se sabe exatamente o que causa a piromania. Acredita-se que possa estar relacionado a um ou mais dos seguintes problemas.

Outros transtornos psiquiátricos

Pessoas com piromania geralmente têm outros problemas psiquiátricos. Estes podem incluir ansiedade, abuso de substâncias, dependência, depressão, transtorno de déficit de atenção (TDAH), transtornos de humor ou dificuldades de aprendizagem.

Hereditariedade

A piromania é um tipo de transtorno de controle de impulsos. Parece haver um componente genético para esses tipos de distúrbios. Pessoas com distúrbios de controle de impulsos, como piromania, são mais propensas a ter parentes com doenças psiquiátricas. Entender melhor a dinâmica por trás de lidar com a impulsividade ajuda a compreender por que o impulso, e não a motivação externa, é o centro do problema.

Química cerebral

Seu cérebro produz substâncias químicas que controlam como você pensa, age e sente. Pessoas com um desequilíbrio químico em seus cérebros podem ser mais suscetíveis à piromania.

Estressores

A piromania pode estar ligada a eventos estressantes, como uma grande perda ou abuso infantil.

Gatilhos

Às vezes, gatilhos, como um pensamento ou uma droga, podem causar alterações nas substâncias químicas do cérebro. Isso pode levar você a associar iniciar um incêndio com se sentir bem.

Quem corre o risco de desenvolver piromania?

A piromania é muito rara. Por isso, não foi tão extensivamente estudada como outras condições. A piromania tem sido associada a:

  • Ser homem;
  • Inteligência abaixo do normal;
  • Ter um transtorno de humor;
  • Ser maltratado quando criança;
  • Ter transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH);
  • Estresse familiar.

Como a piromania é tratada?

Nenhuma pesquisa clínica foi feita sobre medicamentos para tratar a piromania. Seu médico pode prescrever medicamentos para ajudar a controlar sua piromania. A terapia cognitivo-comportamental também é usada para tratar a piromania. A terapia cognitivo-comportamental pode incluir:

  • Identificar a causa do impulso;
  • Corrigir ou eliminar o comportamento;
  • Mudar o comportamento ou impulso;
  • Trocar o velho hábito por um mais apropriado;
  • Encontrar métodos de enfrentamento eficazes;
  • Automonitoramento;
  • Usar uma rede de amizades em situações de risco;
  • Treinamento parental;
  • Treinamento de habilidades de resolução de problemas;
  • Treinamento de relaxamento;
  • Pensar nas consequências negativas;
  • Segurança e prevenção de incêndios;
  • Terapia familiar;
  • Terapia individual.

Como buscar ajuda no Brasil

No Brasil, o diagnóstico e o tratamento da piromania devem ser conduzidos por profissionais habilitados: o psiquiatra (registrado no CRM) avalia a necessidade de tratamento medicamentoso e possíveis transtornos associados, enquanto o psicólogo (registrado no CRP) conduz a psicoterapia, com destaque para a terapia cognitivo-comportamental. Os dois cuidados costumam se complementar.

Esse acompanhamento está disponível tanto na rede privada quanto de forma gratuita pelo SUS, especialmente por meio dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), que atendem pessoas com transtornos mentais. Em situações que envolvem responsabilidade legal por incêndios, pode ser necessária ainda uma avaliação forense, feita em contexto pericial, que é diferente do atendimento clínico de saúde mental.

Se você ou alguém próximo apresenta impulsos difíceis de controlar relacionados ao fogo, procurar ajuda profissional é o primeiro passo. Você pode iniciar com um psicólogo, buscar um psiquiatra ou conhecer o acompanhamento com terapia e psiquiatria de forma integrada.

Piromania é um transtorno mental?

Sim. A piromania é reconhecida como um transtorno mental e está classificada no grupo dos transtornos disruptivos, de controle de impulsos e de conduta, ao lado de quadros como a cleptomania. Ao longo da história da psiquiatria, esse conjunto de condições foi descrito de diferentes formas, desde a antiga noção de "monomania instintiva" até as classificações atuais, mas o ponto em comum é a dificuldade de resistir a um impulso, mesmo diante de consequências negativas.

Por ser um transtorno, e não um simples traço de personalidade ou "mania" no sentido popular, a piromania pode e deve ser avaliada e tratada. Reconhecer que se trata de uma condição de saúde mental é importante para reduzir o estigma e incentivar a busca por ajuda adequada, com profissionais habilitados.

Perguntas Frequentes

O que é piromania?

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Quais são os sintomas da piromania?

Para o diagnóstico, a pessoa precisa atear fogo deliberadamente em mais de uma ocasião, sentir-se tensa ou enérgica antes, ter atração e obsessão pelo fogo e sentir prazer, alívio ou gratificação ao atear incêndios. Esse comportamento não pode ser explicado por outro transtorno psiquiátrico.

O que é uma pessoa piromaníaca?

Piromaníaco (ou piromaníaca) é a pessoa que tem piromania, ou seja, que apresenta fascínio e obsessão pelo fogo e um impulso recorrente e irresistível de atear incêndios de forma deliberada. Não é o mesmo que gostar de fogos de artifício ou ficar hipnotizado por uma fogueira: trata-se de um diagnóstico clínico raro, feito por profissional de saúde mental.

Qual a diferença entre piromania e incêndio criminoso?

O incêndio criminoso (arson) é o ato de atear fogo de forma intencional, motivado por objetivos como ganho financeiro, vingança, esconder outro crime ou ideologia, e é tratado pela lei como crime. A piromania é um transtorno de controle de impulsos, sem motivação externa: o impulso surge por tensão interna e alívio ao ver o fogo. A grande maioria de quem comete incêndio criminoso não tem piromania.

Todo incendiário tem piromania?

Não. A piromania é muito rara e incêndio intencional é crime, mas a maioria dos incendiários não tem piromania. Quem ateia fogo por ganho monetário, crenças políticas, para esconder um crime ou sob influência de drogas normalmente não tem o transtorno.

Piromania é um transtorno mental?

Sim. A piromania é reconhecida como um transtorno mental, classificada no grupo dos transtornos disruptivos, de controle de impulsos e de conduta. O diagnóstico é feito por psiquiatra (CRM) ou psicólogo (CRP) com base em critérios clínicos, e não deve ser confundido com simples gosto por fogo.

O que causa a piromania?

Não se sabe exatamente. Acredita-se que esteja ligada a outros transtornos psiquiátricos, a um componente genético, a desequilíbrios químicos no cérebro e a eventos estressantes, como uma grande perda ou abuso infantil. Gatilhos também podem alterar as substâncias do cérebro.

Piromania tem tratamento?

Sim. A terapia cognitivo-comportamental é usada para identificar a causa do impulso, mudar o comportamento e desenvolver métodos de enfrentamento; você pode buscar um psicólogo para iniciar o acompanhamento. Em alguns casos, um psiquiatra avalia a necessidade de tratamento medicamentoso. No Brasil, o cuidado também está disponível de forma gratuita pelo SUS, especialmente pelos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial).

João Vitor Gomes dos Santos
João Vitor Gomes dos Santos

Engenheiro Mecânico, através da convivência na universidade se conscientizou da importância do bem-estar mental. Para promover e acessibilizar os cuidados com a mente, cofundou a PsyMeet. Convencido da importância da saúde mental para uma vida feliz, está sempre lendo, assistindo e ouvindo sobre o tema. Instagram @dosantosjv

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