Estimulantes: O Que São e Como Funcionam
Conheça algumas das principais substâncias estimulantes e como atuam no nosso organismo
22.08.2022 | João Vitor Santos
Estimulantes são uma classe de substâncias psicoativas que aumentam a atividade no cérebro, elevando temporariamente o estado de alerta, o humor e a consciência. Incluem substâncias legais e ilegais, como cafeína, nicotina, cocaína, anfetaminas e estimulantes de prescrição. Muitos deles também podem ser viciantes.
Os estimulantes são uma classe de substâncias psicoativas que aumentam a atividade no cérebro. Essas substâncias podem elevar temporariamente o estado de alerta, o humor e a consciência. Algumas drogas estimulantes são legais e amplamente utilizadas, enquanto outras são ilegais.
Muitos estimulantes também podem ser viciantes. Os estimulantes compartilham muitas semelhanças, mas cada um tem propriedades e mecanismos de ação únicos.
Exemplos de drogas estimulantes
As drogas classificadas como estimulantes incluem tanto substâncias legais quanto ilegais. Os principais exemplos, tratados aqui como classes de substâncias e não como marcas, são:
- Cafeína: presente no café, chá, cacau, chocolate e refrigerantes, é o estimulante mais consumido no mundo;
- Nicotina: presente no cigarro comum, nos cigarros eletrônicos e em outros produtos derivados do tabaco;
- Cocaína: substância ilegal, feita a partir das folhas da coca;
- Anfetaminas: grupo que inclui o ecstasy e a metanfetamina;
- Estimulantes prescritos: usados sob receita, por exemplo, no tratamento do TDAH e da narcolepsia.
A seguir, entenda como cada um deles atua.
Estimulantes, depressoras e perturbadoras: a classificação das drogas
Uma dúvida muito comum é a diferença entre drogas estimulantes, depressoras e perturbadoras. Essa é a classificação clássica das substâncias psicoativas de acordo com o efeito que provocam no sistema nervoso central:
- Estimulantes: aumentam a atividade do cérebro, deixando a pessoa mais "ligada" e "elétrica". Costumam reduzir as sensações de fome, cansaço e sono. Exemplos: cafeína, nicotina, cocaína e anfetaminas.
- Depressoras: reduzem a atividade do cérebro, deixando a pessoa mais "desligada". Exemplos: álcool, tranquilizantes e sedativos. Você pode ler mais em o que é depressão do sistema nervoso central.
- Perturbadoras (ou alucinógenas): alteram a qualidade da atividade cerebral e a percepção, podendo provocar alucinações. Exemplos: LSD e maconha.
Vale lembrar que uma mesma pessoa pode usar mais de um tipo de substância, e que os efeitos variam conforme a substância, a dose e o organismo de cada um.
Cafeína
A cafeína é a droga psicoativa mais usada do mundo, encontrada no café, chá, cacau, chocolate e refrigerantes. Embora a cafeína tenha vários efeitos positivos, como aumentar a energia e o estado de alerta mental, o uso exagerado pode causar sintomas como ansiedade e insônia.
A cafeína é fisicamente viciante e os sintomas de abstinência podem incluir dores de cabeça, fadiga e irritabilidade.
Nicotina
A nicotina é considerada uma das três drogas psicoativas mais usadas no mundo, apesar do fato de haverem poucos (se houverem) usos médicos para a droga. Durante o início e meados do século XX, fumar era considerado moda.
Relatos das consequências adversas para a saúde levaram ao uso cada vez mais evitado do cigarro. No entanto, o percentual total de fumantes com 18 anos ou mais no Brasil é de 9,1%, sendo 11,8% entre homens e 6,7% entre mulheres.
A nicotina é um ingrediente primário nos cigarros eletrônicos, e o vaping é altamente viciante. Desde o seu surgimento, o vaping com nicotina tornou-se um problema crescente entre adolescentes e adultos jovens. No Brasil, o comércio do Vape é proibido.
Cocaína
A cocaína é uma droga psicoativa ilegal feita a partir das folhas da coca. Durante o final dos anos 1800, o psicanalista Sigmund Freud defendeu o uso da cocaína como tratamento terapêutico para distúrbios psicológicos, mas depois percebeu as propriedades viciantes da droga.
Durante o início de 1900, a cocaína era legal nos EUA e podia ser encontrada em muitos medicamentos de venda livre. Em 1906, o governo começou a exigir que os fabricantes rotulassem os produtos que continham cocaína e começou a impor sérias restrições à distribuição no início da década de 1920.
A cocaína é uma substância restrita e seu uso e venda são considerados ilegais na maioria dos casos. Hoje, a cocaína é uma das drogas ilegais mais usadas no Brasil.
A cocaína é rapidamente absorvida a partir de qualquer ponto de administração, incluindo ser aspirada, inalada, injetada ou ingerida por via oral.
A droga atinge o cérebro rapidamente e é então distribuída para outros tecidos por todo o corpo. A cocaína é rapidamente metabolizada por enzimas no fígado e no plasma em aproximadamente 30 a 60 minutos, mas pode ser detectada em exames de urina por até 12 horas após a administração. Para entender melhor o impacto no organismo, veja os efeitos da cocaína no cérebro.
Anfetaminas
As anfetaminas, como o ecstasy e a metanfetamina, são extremamente viciantes e destroem os tecidos do cérebro, o que pode levar a danos cerebrais. Nas décadas de 1950 e 1960, a metanfetamina, por exemplo, era comumente prescrita para condições médicas, incluindo depressão, narcolepsia e obesidade.
Na década de 1960, as pessoas começaram a usar essa classe de drogas de forma recreativa, embora o uso tenha diminuído em popularidade até a década de 1980. Os efeitos da metanfetamina, que podem durar de quatro a oito horas, começam rapidamente após o uso intravenoso ou quando é fumada. Os sintomas de abstinência de metanfetamina podem ocorrer 24 horas após você parar de usar a droga e podem variar de leves a graves, dependendo da frequência de uso e dependência.
Estimulantes prescritos
Os estimulantes de prescrição são um grupo de drogas psicoativas que afetam o sistema nervoso central e o sistema nervoso autônomo. Alguns dos efeitos do uso dessas drogas incluem tremores, vasoconstrição, inquietação, taquicardia, insônia, agitação e perda de apetite.
Esses agentes já foram amplamente utilizados em tratamentos de obesidade e perda de peso, mas suas propriedades viciantes fizeram com que raramente fossem usados hoje para esse fim. Os estimulantes prescritos são usados atualmente para tratar alguns distúrbios físicos e psicológicos, incluindo o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e a narcolepsia.
Os estimulantes prescritos funcionam aumentando os efeitos da dopamina e da noradrenalina e podem levar ao aumento da pressão arterial, função respiratória e euforia.
Este texto não indica nomes de medicamentos nem doses. Os estimulantes prescritos (usados, por exemplo, no tratamento do TDAH) devem ser usados apenas sob orientação de um médico. No Brasil, essas substâncias são controladas e vendidas apenas com receita médica, nunca por conta própria.
Efeitos das drogas estimulantes no sistema nervoso central
Apesar de suas diferenças, os estimulantes agem de forma parecida no sistema nervoso central: eles aumentam a atividade de mensageiros químicos do cérebro, como a dopamina e a noradrenalina. É por isso que, no curto prazo, provocam sensação de mais energia, alerta, foco e euforia, além de reduzir o sono e o apetite.
Esses efeitos também aparecem no corpo, por meio do sistema nervoso autônomo. Entre as reações possíveis estão o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, tremores, insônia e agitação. O uso frequente ou em doses altas está associado a quadros de ansiedade, irritabilidade e alterações de humor.
Riscos e dependência
O principal risco dos estimulantes é o alto potencial de gerar dependência química. Com o tempo, o cérebro se adapta à presença da substância, e a pessoa pode precisar de doses cada vez maiores para sentir o mesmo efeito. Quando o uso é interrompido, podem surgir sintomas de abstinência, que variam de leves a graves conforme a substância e o padrão de consumo.
No Brasil, o tratamento da dependência de álcool e outras drogas é gratuito pelo SUS, principalmente nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD). Também é possível buscar acompanhamento particular com um médico ou com um psicólogo, que ajuda no cuidado emocional e na prevenção de recaídas.
Se você ou alguém próximo está passando por um momento de crise, sofrimento intenso ou pensamentos de desesperança, procure ajuda imediatamente. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. Buscar tratamento é sempre o caminho mais seguro.