O que é Autoestima?
Descubra os principais fatores que afetam sua autoestima e conheça formas de desenvolver uma autoestima saudável.
06.02.2022 | João Vitor Santos
Autoestima é a avaliação subjetiva que fazemos de nós mesmos, o senso de valor que temos sobre quem somos, ou seja, o quanto nos apreciamos independentemente das circunstâncias. Ter autoestima saudável melhora a motivação, os relacionamentos e o bem-estar. Tanto a autoestima muito baixa quanto a excessivamente alta trazem problemas, e é possível melhorá-la com mudanças de hábito e com o apoio da psicoterapia.
Ter uma autoestima saudável influencia sua motivação, seu bem-estar mental e sua qualidade de vida em geral. Entretanto, ter a autoestima muito elevada ou muito baixa pode ser um problema.
Entender bem qual o seu nível particular de autoestima te ajudará a atingir o equilíbrio perfeito para você. Autoestima é um assunto que nunca sai de moda: volta e meia esse tema está na mídia, e estar bem consigo mesmo, aceitar-se diante das próprias faltas, dificuldades e fragilidades, é um percurso que requer coragem e disposição.
O que é autoestima?
Na Psicologia, o termo autoestima é usado para descrever o senso de valor que uma pessoa tem sobre si mesma. Em outras palavras, a autoestima pode ser definida como o quanto você aprecia a si mesmo(a) independente das circunstâncias. É uma avaliação subjetiva que fazemos de nós mesmos: da nossa importância, dos nossos cuidados conosco, da nossa imagem, dos nossos comportamentos, das nossas relações (com o outro e consigo mesmo) e do nosso corpo.
A sua autoestima é definida por muitos fatores, como:
- Autoconfiança;
- Sensação de segurança;
- Identidade;
- Sensação de pertencimento;
- Sentimento de competência.
Um estudo apontou que a autoestima tende a ser mais baixa durante a infância e a aumentar na adolescência, assim como na vida adulta, eventualmente atingindo um nível estável e duradouro.
Já para a psicanálise, a autoestima é o sentimento de estima que o sujeito tem sobre si mesmo. Para Sigmund Freud (1914/1969), "a autoestima expressa o tamanho do ego [...] Tudo o que o sujeito possui ou realiza [...] ajuda-o a aumentar sua autoestima" (p.115). Uma forma de pensar essa questão é a expectativa que você joga sobre si mesmo: quando o sujeito eleva muito essa expectativa aplicada a si, ganha esforço e engajamento de um lado, mas fica mais difícil de atingi-la; quando a expectativa é menor, o esforço também diminui, porém tudo o que vier passa a ser vivido como ganho.
Por que a autoestima é importante?
Sua autoestima afeta seu processo de tomada de decisão, seus relacionamentos, sua saúde emocional e seu bem-estar em geral. Também impacta a motivação, uma vez que pessoas com uma percepção positiva sobre si próprias se sentem mais inspiradas a assumirem novos desafios.
Pessoas com a autoestima saudável:
- Têm uma compreensão firme de suas habilidades;
- São capazes de manter relacionamentos saudáveis com os outros graças ao relacionamento saudável consigo mesmas;
- Têm expectativas realistas e saudáveis sobre si e suas habilidades;
- Entendem suas necessidades e são capazes de expressá-las.
Pessoas com autoestima baixa se sentem menos seguras de suas habilidades e podem duvidar do seu processo de tomada de decisão. Elas podem se sentir desmotivadas a tentarem coisas novas porque não acreditam que são capazes de atingir suas metas.
Essas pessoas também podem ter dificuldade com relacionamentos e para expressar suas necessidades. Também tendem a ter confiança baixa e se sentirem indignas ou sem valor.
Pessoas com a autoestima excessivamente alta, por outro lado, podem superestimar suas habilidades e sentirem que serão necessariamente bem-sucedidas, mesmo que não tenham capacidade suficiente para isso.
Elas também podem ter problemas nos relacionamentos e impedirem o próprio autodesenvolvimento pela insistência de se enxergarem como perfeitas.
Teorias
Muitos teóricos escreveram sobre a dinâmica do desenvolvimento da autoestima. O conceito de autoestima desempenha um papel importante na Pirâmide de Maslow, um conceito que hierarquiza as necessidades humanas básicas, desenvolvido por um psicólogo de mesmo nome.
Maslow sugere que os indivíduos precisam tanto de reconhecimento de outras pessoas quanto de autorrespeito para desenvolver a autoestima. Ambas as necessidades precisam ser atendidas para o indivíduo crescer como pessoa e atingir a autoatualização.
É importante notar que autoestima é um conceito distinto de autoeficácia, que envolve o quão bem você acha que lidará com ações, desempenhos e habilidades futuros.
Fatores que afetam a autoestima
Existem muitos fatores que afetam a autoestima, como:
- Idade;
- Uma possível deficiência;
- Genética;
- Possíveis doenças;
- Status socioeconômico;
- Padrões de pensamento.
Pesquisas mostram que racismo e discriminação também afetam a autoestima negativamente. Além disso, fatores genéticos que ajudam a moldar a personalidade da pessoa também desempenham um papel, embora as experiências de vida provavelmente sejam o fator predominante.
A influência da cultura e das redes sociais
Desde criança somos enunciados pelos outros, inicialmente pela família, sobre quem somos e sobre traços que carregamos de outra pessoa. Daí nasce uma espécie de colcha de retalhos externa a nós mesmos que começa a nos definir. Não há um eu inerente que venha de dentro para fora: ele é sempre uma construção feita com pedaços de outros que vamos reunindo para formar o nosso próprio eu.
Outro fator prejudicial à autoestima são as imagens e os ideais que a publicidade cria, vende e faz invadir as nossas vidas. Essas imagens mudam o tempo todo, como se nos exigissem a condição de camaleão, e, vendidas por uma lógica que tem como objetivo o lucro, adoecem muitas pessoas. Hoje as redes sociais impulsionam ainda mais esse movimento: "posto, logo existo" traduz a necessidade de tentar ser alguém em uma rede virtual, para servir a um outro que também nos define por lá.
Diante desse cenário, o sujeito se pergunta: como manter a minha autoestima se eu não me encaixo? Se o outro não me aprova? Se eu não sou aceito pelo grupo? Essas perguntas nascem da lógica do encaixar, mas existem outros caminhos. Vale buscar se conhecer, se aceitar, se perdoar e se bancar, conhecendo e construindo os próprios ideais de acordo com a sua subjetividade. A autoestima tem a ver com viver com algo que nos preencha sem necessariamente ser visto, elogiado ou aceito pelo outro, e com a criação de sentidos próprios para a vida, inclusive para aquilo que nos faz sofrer.
Autoestima saudável
Existem algumas maneiras simples de descobrir se você tem uma autoestima saudável. Alguns exemplos incluem:
- Evitar remoer experiências negativas;
- Acreditar que você é igual a todos, nem melhor nem pior;
- Expressar suas necessidades;
- Sentir-se confiante;
- Ter uma perspectiva positiva sobre a vida;
- Dizer 'não' quando é necessário;
- Enxergar suas qualidades e defeitos e aceitá-los.
Ter uma autoestima saudável pode motivar você a atingir suas metas, já que você tem em mente que é capaz de atingir os objetivos que sua mente define.
Além disso, quando você tem a autoestima saudável, você é capaz de traçar limites apropriados nos seus relacionamentos e de manter um relacionamento saudável consigo e com os outros.
Autoestima baixa
A autoestima baixa pode se manifestar de diversas maneiras, como:
- Acreditar que os outros são melhores que você;
- Ter dificuldade em expressar suas necessidades;
- Foco desproporcional nas suas fraquezas;
- Sentimentos frequentes de medo, dúvida e preocupação;
- Sentir falta de controle e ter uma perspectiva negativa sobre a vida;
- Medo intenso de falhar;
- Dificuldade em aceitar feedback positivo;
- Dificuldade em dizer 'não' e estabelecer limites;
- Colocar necessidades de outras pessoas acima de suas próprias;
- Ter pouca confiança em si.
A autoestima baixa tem o potencial de causar uma variedade de desordens mentais, como transtornos de ansiedade e de depressão. Você também pode ter dificuldade em perseguir suas metas e com seus relacionamentos.
Ter uma autoestima baixa pode impactar seriamente sua qualidade de vida e aumenta o risco de pensamentos suicidas.
Autoestima excessiva
Autoestima excessivamente alta geralmente é confundida com narcisismo, entretanto, existem alguns traços distintos que diferenciam esses termos. Indivíduos com traços narcisistas parecem ter autoestima elevada sempre, mas a autoestima deles é instável e pode estar alta ou baixa, mudando constantemente de acordo com a situação.
Pessoas com autoestima excessivamente elevada:
- Se preocupam em serem perfeitas;
- Se concentram em estar sempre certas;
- Podem achar que não podem falhar;
- Acreditam que são mais habilidosos ou melhores que os outros;
- Apresentam ideias grandiosas;
- Podem superestimar suas habilidades.
Quando a autoestima está muito alta, problemas de relacionamento podem surgir, além de dificuldade em situações sociais e uma incapacidade de aceitar críticas.
O sofrimento é solidário, o sucesso é solitário
É muito comum que, quando alguém está passando por uma situação difícil, todos ao redor se solidarizem e se envolvam para tentar amenizá-la. O sofrimento também pode ser lido, numa perspectiva social, como uma questão de solidariedade.
Já o sucesso costuma incomodar. O colega que tirou a melhor nota, o amigo que trocou de carro ou a amiga que viajou para o exterior mexem na nossa ferida narcísica. Por outro lado, quando somos nós que estamos nesse lugar de sucesso, é comum nos sentirmos estranhos, e os elogios chegam a soar como ofensa. Nesse momento, a autoestima é um fator acolhedor: entender que fizemos algo bem feito e que todo reconhecimento endereçado a nós é válido e digno permite viver e responder os próprios momentos de sucesso, que também dizem sobre quem somos.
Como melhorar a autoestima
Felizmente, existem passos que você pode tomar para lidar com problemas de autoestima. Algumas ações que você pode tomar para melhorar sua autoestima incluem:
- Estar mais consciente sobre pensamentos negativos. Aprenda a identificar as distorções cognitivas que estão afetando sua autovalorização;
- Desafie padrões de pensamento negativos. Quando você se observar remoendo pensamentos negativos, tente substituir estes pensamentos por outros mais positivos e realistas;
- Use o diálogo interno positivamente. Pratique recitar afirmações positivas para si mesmo(a);
- Pratique a autocompaixão. Habitue-se a perdoar a si mesmo(a) por erros passados e siga em frente aceitando todas as partes de si.
A psicoterapia e a questão da autoestima
A autoestima é uma questão cotidiana na clínica de muitos psicólogos e psicanalistas. Quando o sujeito adoece, é muito comum que esse sentimento sobre si mesmo esteja em baixa, em segundo plano. O processo de psicoterapia pode ajudar a discutir e ressignificar esse sentimento, que oscila com frequência ao longo da vida. Compreender que temos uma participação sobre o nosso próprio sofrimento, e sobre o estado atual da nossa autoestima, é um primeiro passo fundamental.
A terapia também nos ajuda a não sermos alienados pelas expectativas do outro e a seguir o caminho do nosso desejo. Construir o próprio caminho de acordo com as suas proposições é libertador: só você sabe quem é e tudo que já te ocorreu, e cabe a você se julgar com generosidade.
Se sua autoestima está desregulada e afeta alguma área de sua vida, considere conversar com um profissional da saúde mental. Para falar com um psicólogo agora mesmo, clique aqui.
REFERÊNCIAS:
Freud, S. (1969). Sobre o narcisismo: uma introdução. In Freud, S., Obras completas de Sigmund Freud (vol. XIV, pp. 85-89). Rio de Janeiro: Imago (Trabalho original publicado em 1914). </content> </invoke>