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O que é o transtorno disfórico pré-menstrual?

Aprenda como identificar, tratar e atenuar os efeitos dessa condição.

O Que É o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual?

Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é um transtorno de humor que ocorre na fase pré-menstrual do ciclo menstrual.

Apesar das semelhanças com a tensão pré-menstrual (TPM), os sintomas do transtorno disfórico pré-menstrual são muito mais severos e podem causar mudanças extremas de humor que podem interromper o funcionamento e a vida diária.

Pesquisas indicam que mulheres com essa condição podem ter alterações nos genes que influenciam a reação do corpo ao estresse e aos hormônios sexuais. Essas diferenças significam que mulheres com TDPM têm uma sensibilidade maior aos hormônios que influenciam tanto o humor quanto o bem-estar em geral.

Apesar de a TPM também impactar o funcionamento e a vida social da mulher, ela não é tecnicamente classificada como um transtorno e os sintomas geralmente podem ser mantidos sob controle pela própria mulher. O TDPM, por outro lado, é tido como um transtorno mental pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).

Irritabilidade pré-menstrual e TPM são bastante comuns, mas de 3% a 8% de todas as mulheres que menstruam apresentarão sintomas do TDPM.

Sintomas

Entre os principais sintomas do TDPM pode-se citar:

  • Mudanças de humor extremas;
  • Sintomas físicos como dor nos seios, inchaço e dor de cabeça;
  • Sentimento de tristeza;
  • Irritabilidade e raiva direcionadas a outras pessoas;
  • Falta de interesse nas atividades usuais;
  • Falta de energia ou fadiga;
  • Perturbações no sono;
  • Desejo por certos alimentos ou comer em excesso;
  • Dificuldade para pensar ou se concentrar.

Os sintomas começam durante a fase luteínica - após a ovulação – e terminam logo após o início da menstruação.

Causas

As pesquisas sobre as causas e tratamentos contra o TDPM estão começando a aparecer, mas as evidências atuais sugerem que a condição é fortemente influenciada por uma sensibilidade genética aos hormônios sexuais.

Apesar do transtorno ser associado a causas biológicas, uma pesquisa mostrou que variáveis ambientais, como o estresse que a mulher sente, também podem aumentar o risco e a severidade da condição.

Estima-se que 50% dos casos sejam hereditários.

Um estudo sugere que o TDPM pode estar relacionado a alterações nas respostas celulares envolvidas na metabolização do estrogênio e progesterona.

Diagnóstico

O diagnóstico do transtorno disfórico pré-menstrual geralmente começa com seu médico montando um histórico de sua saúde e fazendo alguns exames físicos. Na maioria dos casos, você precisará de um calendário para acompanhar seus sintomas ao longo de pelo menos dois ciclos menstruais.

Para ser diagnosticada com TDPM, a mulher deve apresentar pelo menos 5 sintomas distribuídos nos domínios físico e emocional. A paciente deve apresentar esses sintomas durante a fase pré-menstrual e os sintomas devem estar quase que totalmente ausentes nas semanas seguintes à menstruação.

Esses sintomas também devem interferir no desempenho no trabalho, escola, relacionamentos e outras áreas importantes da vida. Além disso, não podem estar relacionados a outras condições existentes ou ao uso de substâncias.

Tratamento

Os tratamentos contra o transtorno disfórico pré-menstrual se concentram em minimizar e controlar os sintomas da condição. Algumas opções de tratamento incluem:

  • Antidepressivos, como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), têm se mostrado eficientes no tratamento dos sintomas;
  • Anticoncepcionais;
  • Adaptações no estilo de vida, como mudanças na dieta, exercícios e técnicas de gerenciamento do estresse;
  • Mudança nos produtos para menstruação, principalmente aqueles que causam desconforto ou irritação.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) também pode ser usada. Se deseja falar com um psicoterapeuta, clique aqui.

Lidando com os sintomas

As mudanças físicas e de humor causadas pelos sintomas do TDPM podem atrapalhar sua rotina diária e seus relacionamentos. Você pode se sentir irritada, deprimida e com raiva – e existe, é claro, o risco de você descontar esses sentimentos nos outros. Além do tratamento com um profissional da saúde, existem algumas dicas de autocuidado para ajudar você a lidar com os sintomas.

Tratamentos naturais como meditação, exercícios regulares e ioga podem ser efetivos em controlar o estresse. Essas práticas também podem ajudar com os sintomas de depressão e ansiedade.

Você deve ser prudente e sempre falar com seu médico antes de começar um tratamento com ervas naturais. Existe o risco que esses produtos reajam com algum medicamento que você toma.

Descansar bastante e se alimentar de maneira saudável ajuda muito. Evitar alimentos com muito sal previne o inchaço e a retenção de líquido. Minimize o consumo de açúcar e carboidratos simples para controlar o nível de açúcar no sangue. Procure comer carboidratos complexos, fibras, proteínas e ficar bem hidratada sempre.

João Vitor Gomes dos Santos
João Vitor Gomes dos Santos

Estudante de Engenharia Mecânica, através da convivência na universidade se conscientizou da importância do bem-estar mental. Para promover e acessibilizar os cuidados com a mente, cofundou a PsyMeet. Convencido da importância da saúde mental para uma vida feliz, está sempre lendo, assistindo e ouvindo sobre o tema. Instagram @dosantosjv

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