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Diferença Entre Timidez e Transtorno de Ansiedade Social

Diferença entre timidez e ansiedade social: veja o que separa um traço de personalidade de um transtorno, os sinais de alerta e como é o tratamento

Diferença Entre Timidez e Transtorno de Ansiedade Social
Resumo:

A timidez é um traço de personalidade: a pessoa se sente desconfortável perto de desconhecidos, mas participa. O transtorno de ansiedade social é uma condição de saúde mental, em que o medo é intenso, persistente e leva à evitação. O que separa os dois é o prejuízo na vida, a intensidade do medo e o quanto a pessoa deixa de fazer.

A timidez e o transtorno de ansiedade social compartilham muitas características. Embora os dois termos sejam às vezes usados ​​como sinônimos, eles são diferentes. A timidez envolve sentir-se reservado ou desconfortável em situações sociais. A ansiedade social, por outro lado, é mais grave e faz com que as pessoas sintam medo e evitem situações sociais.

Sintomas comuns de timidez e transtorno de ansiedade social

A timidez e a ansiedade social compartilham muitos sintomas, como:

  • Rubor vermelho em situações sociais;
  • Medo de se sentir constrangido em situações sociais;
  • Batimentos cardíacos acelerados;
  • Sudorese;
  • Preocupação com a opinião alheia;
  • Autoavaliações negativas;
  • Desconforto estomacal;
  • Dificuldade em manter contato visual;
  • Sentimento de desconforto em situações sociais;
  • Autoconsciência excessiva;
  • Falar baixo e manter uma postura corporal rígida.

Ansiedade social vs. Timidez

Para distinguir entre timidez e ansiedade social, é importante primeiro entender o significado de cada um desses termos.

  • A timidez é uma característica que surge na infância e faz com que as pessoas se sintam desconfortáveis ​​ou nervosas em situações ou ambientes sociais;
  • O transtorno de ansiedade social é uma condição de saúde mental que faz com que as pessoas experimentem sintomas de ansiedade que as levam a evitar situações sociais.

Infelizmente, o transtorno de ansiedade social (TAS) é frequentemente descartado como apenas timidez extrema. O motivo pelo qual muitas pessoas não procuram ajuda para o TAS é que não percebem que têm uma condição psiquiátrica reconhecida.

Os sintomas de ansiedade social geralmente aparecem na infância. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, 9,1% dos adolescentes entre 13 e 18 anos e 7,1% dos adultos com mais de 18 anos têm transtorno de ansiedade social. Infelizmente, pesquisas internacionais sugerem que as pessoas com transtorno de ansiedade social esperam, em média, 10 anos antes de procurar tratamento. Não há levantamento brasileiro equivalente para essa demora.

Principais Diferenças

Em geral, os principais sintomas que distinguem a timidez do Transtorno de Ansiedade Social (TAS) são:

  • O prejuízo que causa no funcionamento da vida da pessoa;
  • A intensidade do medo;
  • O nível de evitação.

Pessoas com transtorno de ansiedade social não apenas sentem nervosismo antes de fazer um discurso. Elas podem se preocupar com o discurso por semanas ou meses antes, perder o sono devido à ansiedade e apresentar sintomas intensos de ansiedade durante a situação temida, como palpitações, falta de ar, sudorese ou tremores.

Os sintomas geralmente não desaparecem, mas pioram à medida que a situação progride. A pessoa com TAS geralmente percebe que seus medos são infundados, mas ainda assim é incapaz de controlá-los.

Timidez

  • Traço de personalidade;
  • Envolve o medo da avaliação social negativa;
  • Sente-se confortável com pessoas conhecidas;
  • Sente-se menos confiante perto de pessoas desconhecidas.

Ansiedade Social

  • Condição de saúde mental;
  • Envolve um medo intenso de constrangimento social;
  • Sentir ansiedade intensa em situações sociais;
  • Evitar situações que desencadeiam medo e ansiedade.

Ansiedade social ou introversão?

Essa é a terceira confusão comum, e vale separar os três conceitos, porque a diferença não é de intensidade, é de natureza:

  • Introversão é preferência e energia. A pessoa se cansa com interação social longa e recarrega sozinha, mas não tem medo de ser julgada. Ela escolhe menos contato social e está bem com essa escolha;
  • Timidez é desconforto. A pessoa quer ou aceita participar, mas se sente constrangida, principalmente no começo e com desconhecidos. O desconforto tende a diminuir conforme o ambiente fica familiar;
  • Ansiedade social é medo. A pessoa muitas vezes quer o contato, mas evita por receio de avaliação negativa, e a evitação cobra um preço real na vida dela.

Um teste prático: depois de um evento social, quem é introvertido costuma sair cansado, e quem tem ansiedade social sai aliviado por ter acabado, ou simplesmente não vai. Cansaço aponta para introversão; alívio e esquiva apontam para ansiedade.

E é importante dizer: dá para ser extrovertido e ter ansiedade social ao mesmo tempo. A pessoa gosta de gente, se energiza no convívio e, ainda assim, trava de medo de passar vergonha. Confundir ansiedade social com introversão faz justamente esse grupo demorar a procurar ajuda, porque não se reconhece no estereótipo do tímido calado.

Rastreio para Transtorno de Ansiedade Social

Seu médico ou profissional de saúde mental pode realizar uma entrevista detalhada para determinar se você preenche os critérios para um diagnóstico de TAS. No entanto, como etapa inicial, ele ou ela pode solicitar que você preencha um instrumento de triagem para determinar a necessidade de uma avaliação de acompanhamento mais completa.

Um desses testes de triagem é o “Mini-SPIN” (Mini-Inventário de Fobia Social), que consiste em apenas três perguntas. O Mini-SPIN (e sua versão complementar, o SPIN completo) foi criado pelo Dr. Jonathan Davidson, do Departamento de Psiquiatria do Centro Médico da Universidade Duke, nos Estados Unidos.

Estudos demonstraram que o Mini-SPIN é uma ferramenta eficaz para diagnosticar TAS em pessoas de diferentes culturas e idiomas.

Para preencher o SPIN, seu médico solicitará que você avalie os três itens a seguir em termos de quão verdadeiros eles são para você, em uma escala de 0 a 4, onde 0 significa "nada presente" e 4 significa "extremamente presente".

  • Sentir vergonha ou parecer estúpido estão entre os meus maiores medos;
  • O medo de passar vergonha me faz evitar fazer coisas ou falar com pessoas;
  • Evito atividades em que sou o centro das atenções.

Geralmente, pontuações totais de 6 ou mais indicam possível Transtorno de Ansiedade Social (TAS), porém, somente um profissional de saúde mental qualificado pode fazer um diagnóstico com base em uma entrevista completa. Além do SPIN e do Mini-SPIN, vários outros instrumentos podem ser usados ​​para rastrear o transtorno de ansiedade social, incluindo:

  • Escala de Medo de Avaliação Negativa;
  • Escala de Fobia Social de Liebowitz;
  • Escala de Evitação e Angústia Social.

Embora os instrumentos de triagem sejam muito úteis para identificar possíveis problemas com ansiedade social, nada substitui uma entrevista diagnóstica completa conduzida por um profissional de saúde mental. Seu médico pode fornecer uma avaliação completa ou encaminhá-lo a outro profissional com mais experiência no diagnóstico do transtorno.

Vale um aviso: todos esses instrumentos foram desenvolvidos fora do Brasil e servem para triagem, não para autodiagnóstico. Pontuar alto em um deles indica que vale procurar avaliação, nada além disso. No Brasil, o diagnóstico é feito por psicólogo com registro no CRP ou por médico com registro no CRM, em geral o psiquiatra. Pelo SUS, a UBS é a porta de entrada e encaminha para o CAPS quando necessário; na rede privada, dá para procurar um psicólogo diretamente.

Efeitos da Timidez vs. Ansiedade Social

A infância é o período em que as habilidades sociais se desenvolvem, preparando o indivíduo para os desafios da adolescência e da vida adulta. Tanto a timidez quanto a ansiedade social podem afetar as habilidades sociais e o funcionamento de maneiras semelhantes, mas os efeitos são mais severos para aqueles que sofrem de ansiedade social.

Impacto da Timidez

Embora a timidez seja normal, ela pode impactar a vida e os relacionamentos de uma pessoa. Pode dificultar a formação de amizades e a socialização na escola durante a infância e a adolescência.

O baixo desempenho social pode interferir na autoestima e na confiança da criança. Felizmente, como a timidez é menos severa do que o transtorno de ansiedade social, as pessoas geralmente conseguem encontrar maneiras de lidar com sua natureza mais reservada e retraída.

É importante reconhecer que a timidez pode se transformar em ansiedade social. Quando contribui para uma preocupação intensa e para a evitação de situações sociais, a ansiedade pode piorar com o tempo. Eventualmente, os sintomas podem chegar a um ponto em que se tornam um transtorno mental diagnosticável.

Impacto do Transtorno de Ansiedade Social

Crianças com transtorno de ansiedade social frequentemente não desenvolvem comportamentos sociais adequados. À medida que crescem com o transtorno, podem se acostumar a ter medos sociais e construir uma vida baseada na evitação.

O transtorno de ansiedade social pode ter um impacto devastador na educação, no sucesso profissional, na independência financeira e nos relacionamentos pessoais. Muitas vezes, leva a um estilo de vida isolado e, consequentemente, à depressão ou ao abuso de substâncias.

Ao mesmo tempo, é lamentável que as pessoas esperem tanto tempo ou nunca busquem ajuda quando esse transtorno é tratável. De fato, estudos internacionais apontam que cerca de 70% das pessoas com TAS respondem bem à terapia cognitiva.

Meu filho é só tímido ou tem ansiedade social?

Como os sintomas costumam começar na infância, essa é a dúvida que mais chega de pais e mães. A timidez esperada tem uma marca: a criança demora para se soltar, mas se solta. Ela observa de longe no começo da festa e, depois de um tempo, está brincando.

Sinais que pedem mais atenção:

  • Recusa-se a falar na escola, com professores ou com adultos fora de casa, mesmo falando normalmente em casa;
  • Queixas físicas recorrentes antes de ir à escola ou a eventos, como dor de barriga e dor de cabeça;
  • Chora, congela ou entra em pânico ao ser chamada em sala;
  • Evita aniversários, apresentações e atividades em grupo de forma consistente, e sente alívio quando o programa é cancelado;
  • Não consegue formar amizades ao longo de meses, não por escolha, mas por medo;
  • Sofre visivelmente com a situação, em vez de apenas preferir ficar mais reservada.

O que ajuda em casa: não forçar a criança a "encarar" de uma vez, mas também não responder por ela nem tirá-la de toda situação social, porque a esquiva alivia na hora e aumenta o medo depois. Funciona melhor a aproximação gradual, com uma tarefa pequena por vez (pedir algo no balcão, cumprimentar um colega), elogiando a tentativa e não o resultado. Evite também rotular na frente dela: repetir "ela é tímida" ensina a criança a se descrever assim.

Vale conversar com a escola, porque o comportamento costuma aparecer lá primeiro, e buscar avaliação quando a esquiva já estreita a vida da criança, afeta o desempenho escolar ou se mantém por meses. Há estratégias específicas para ajudar uma criança ansiosa, e, no caso de adolescentes, vale entender como funciona a terapia nessa fase. Quanto mais cedo o acompanhamento começa, menor a chance de a evitação virar a organização da vida adulta.

Lembre-se

Se você acredita que sua timidez pode ser, na verdade, transtorno de ansiedade social, é importante marcar uma consulta com seu médico ou profissional de saúde mental. Deixar os sintomas sem tratamento por um longo período pode piorar sua ansiedade e levar a outros problemas, como depressão ou abuso de substâncias.

Por outro lado, existem tratamentos eficazes, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e, quando indicada, a medicação, com bons resultados no transtorno de ansiedade social.

Perguntas Frequentes

Qual é a diferença entre timidez e ansiedade social?

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Ansiedade social é o mesmo que ser introvertido?

Não. Introversão é preferência e energia: a pessoa recarrega sozinha e está bem com isso. Ansiedade social é medo de avaliação negativa, com evitação que cobra um preço. Um sinal prático: o introvertido sai de um evento cansado, quem tem ansiedade social sai aliviado por ter acabado. Dá até para ser extrovertido e ter ansiedade social.

Como saber se é timidez ou transtorno de ansiedade social?

Três critérios separam os dois: o prejuízo que o medo causa na vida, a intensidade do medo e o nível de evitação. Quem tem o transtorno não fica apenas nervoso antes de uma apresentação: pode se preocupar por semanas, perder sono e sentir palpitações, tremores ou falta de ar na hora, sabendo que o medo é desproporcional e sem conseguir controlá-lo.

O que é o teste Mini-SPIN?

É um instrumento de triagem de três perguntas, criado na Universidade Duke, nos Estados Unidos, em que você pontua de 0 a 4 o quanto cada afirmação é verdadeira para você. Somas de 6 ou mais sugerem possível ansiedade social. É triagem, não diagnóstico: só uma entrevista com profissional qualificado fecha o quadro.

A timidez pode virar ansiedade social?

Pode. Quando a timidez passa a alimentar preocupação intensa e evitação de situações sociais, a ansiedade tende a crescer com o tempo, até os sintomas chegarem ao ponto de configurar um transtorno diagnosticável. É um dos motivos para não esperar que "passe sozinho" quando o medo começa a limitar a rotina. Em crianças, os sinais de alerta são recusa de falar na escola, queixas físicas antes de sair de casa e esquiva consistente de festas e apresentações.

Ansiedade social tem tratamento?

Tem, e com boa resposta. A terapia cognitivo-comportamental é a abordagem mais estudada para o quadro, e em alguns casos o médico pode indicar medicação. O problema é a demora: pesquisas internacionais apontam que as pessoas levam em média dez anos para buscar ajuda, tempo em que o quadro costuma se agravar.

Quem diagnostica ansiedade social no Brasil?

O diagnóstico é feito por psicólogo com registro no CRP ou por médico com registro no CRM, em geral o psiquiatra, sempre a partir de entrevista clínica. Pelo SUS, a porta de entrada é a UBS, que encaminha para o CAPS. Na rede privada, você pode procurar diretamente um psicólogo.

João Vitor Gomes dos Santos
João Vitor Gomes dos Santos

Engenheiro Mecânico, através da convivência na universidade se conscientizou da importância do bem-estar mental. Para promover e acessibilizar os cuidados com a mente, cofundou a PsyMeet. Convencido da importância da saúde mental para uma vida feliz, está sempre lendo, assistindo e ouvindo sobre o tema. Instagram @dosantosjv

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